2010/03/15

O óbvio nem sempre é aparente, mas deve constantemente ser relembrado

Lembro de um momento ímpar que muitas vezes negligenciamos, seja pela obviedade, seja naturalidade que na maioria do tempo não percebemos a importância que tem.
Há 3 anos, após uma cirurgia no LCA do joelho direito com um excelente Profissional, Dr. Ary Moré, especialista em joelhos e que realizou uma cirurgia espetacular, bem como todo o acompanhamento pós cirúrgico, Profissional que recomendo a todos.
Porém, por circunstâncias alheias as nossas vontades, tive uma infecção no joelho que fez com que a recuperação fosse muito mais lenta e que devo todo o respeito e admiração aos Fisioterapeutas Dr. Juliano, Dr.Erádio, Dr. Jackson [da Clínica de Fisioterapia de Estácio] e Dr. Matheus [da Personal Fisio] que também demosntrando um altíssimo grau de profissionalismo estiveram acompanhando e incentivando todo o processo de recuperação.
O momento que ressalto agora e que vive na lembrança foi o reaprender a andar, a impulsionar pela segunda vez na vida o Primeiro Passo - ato quase que instintivo mas que algumas limitações me proporcionaram o seu reaprendizado. Momento inesquecível que ascende para relembrar diariamente o quão importante são os gestos e atos simples que repetimos invariavelmente todos os dias.
O óbvio, com menciona Paco Underhill, nem sempre é aparente, mas deve sempre ser relembrado.
Detalhes pequenos que fazem uma grande diferença.

2010/03/14

Treino Volta a Ilha

Algumas ações se tornam relamente incompatíveis ou .. quase, tais quais:
Treinar para a prova Volta a Ilha [corrida de revezamento pelas praias de Florianópolis] e sair na noite de Floripa - sendo que a noite é nas vésperas dos treinos.
Dizzy Forever foi um espetáculo na sexta-feira: Bons tempos, ótima música, raro de se escutar atualmente.
Em compensação, o treino Joaquina-Campeche de sábado pela manhã foi literalmente para o espaço, espaço dos sonhos! Um sábado inteiro para se recuperar da festa e se preparar para o treino de domingo: Cachoeira do Bom Jesus - Ingleses - Costão do Santinho - Ingleses - Cachoeira do Bom Jesus. Cerca de 19Km em 01:59 horas.
Bom treino, sensação indescritível ao finalizar a praia dos Ingleses sendo acompanhado pela equipe e mais 12 cachorros que integraram a turma e nos acompanharam até o final do Costão, retornando e dando o devido apoio ao ponto inicial.

Noite e dia em suas constantes disputas pelo nosso tempo, opções que temos que fazer.
Salve a Ilha de Floripa!

2010/03/12

Bom humor da libélula

Retornando para casa após o almoço, me deparo com uma libélula na entrada do condomínio. Como estava se debatendo para sair da porta de vidro, resolvi dar um "help" à pequena que, para minha surpresa, acabou subindo comigo até meu apartamento.
Como a mesma demonstrava um ótimo humor e a máquina fotográfica estava preparada, ela ganhou uma seção de fotos, dentre as quais destaco algumas abaixo:


2010/03/07

Grande Show Central Station

All Photos © E.Trauer 2010
Foi ontem, em um dos melhores auditórios de Florianópolis, no Colégio Menino Jesus - Centro, o Show espetacular de Fabio Dwyer no lançamento de seu segundo CD - Central Station.
Convidados especiais deram o brilho extra no espetáculo que empolgou a platéia até o último instante.



Na produção do material visual do CD preparamos um ensaio de fotos no Sul da Ilha de Florianópolis e teve uma história fora do comum, contando inclusive com a presença de - nada mais nada menos - de uma legítima "vaca brava" que quase impediu a realização das fotos.



O final de tarde estava perfeito, luz mágica e um Engenho abandonado deram um toque ímpar no clima que estava sendo construido para Central Station.
As fotos foram passadas no palco antes do show e nos intervalos.
A primeira remessa do CD já está quase esgotada e o DVD do show está em fase de produção.
Fiquei com 15 exemplares do CD para venda e restam somente 11. Contatos em PVT. Esta remessa será vendida somente pela Internet com Fabio Dwyer.

Fotos e Making Of do Show na Galeria deste site.

Parabéns Fabio e Banda, foi um espetáculo internacional na nossa cidade.


2010/03/02

Gaiolas e Asas?


Gaiolas e Asas? Rubem Alves*


Picasso dizia: “Eu não procuro. Eu encontro”. Assim são os pensamentos. Eles aparecem de repente sem ter sido procurados. Pois, de repente, sem que o procurasse, esse pensamento me atacou: “Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas”.
As gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Seu dono pode levá-los para onde quiser. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Asas não amam as gaiolas. O que elas amam é o vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.
Esse pensamento nasceu de um sofrimento: sofri conversando com professoras de segundo grau, em escolas de periferia. O que elas contam são relatos de horror e medo. Balbúrdia, gritaria, desrespeito, ofensas, ameaças... Ouvindo os seus relatos vi uma jaula cheia de tigres famintos, dentes arreganhados, garras à mostra – e as domadoras com seus chicotes, fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres... Sentir alegria ao sair da casa para ir para a escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O seu sonho é livrar-se de tudo aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que as fecham junto com os tigres.
Nos tempos da minha infância eu tinha um prazer cruel: pegar passarinhos. Fazia minhas próprias arapucas, punha fubá dentro e ficava escondido, esperando... O pobre passarinho vinha, atraído pelo fubá. Ia comendo, entrava na arapuca, pisava no poleiro – e era uma vez um passarinho voante. Cuidadosamente eu enfiava a mão na arapuca, pegava o passarinho e o colocava dentro de uma gaiola. O pássaro se lançava furiosamente contra os arames, batia as asas, crispava as garras, enfiava o bico entre os vãos, na inútil tentativa de ganhar de novo o espaço, ficava ensangüentado... Sempre me lembro com tristeza da minha crueldade infantil.
Violento, o pássaro que luta contra os arames da gaiola? Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende? Violentos, os adolescentes de periferia? Ou serão as escolas que são violentas? As escolas serão gaiolas?
Me falarão sobre a necessidade das escolas dizendo que os adolescentes de periferia precisam ser educados para melhorar de vida. De acordo. É preciso que os adolescentes, é preciso que todos tenham uma boa educação. Uma boa educação abre os caminhos para uma vida melhor.
O que é uma boa educação?
O que os burocratas pressupõem é que os alunos ganham uma boa educação se aprendem os conteúdos dos programas oficiais. E para se testar a qualidade da educação criam-se mecanismos, provas, avaliações, exames, testes.
Mas será mesmo? Será que a aprendizagem dos programas oficiais se identifica com o ideal de uma boa educação? Você sabe o que é “dígrafo”? E os usos da partícula “se”? E o nome das enzimas que entram na digestão? E o sujeito da frase “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heróico o brado retumbante”? Qual a utilidade da palavra “mesóclise”? Pobres professoras, também engaioladas pelos programas... São obrigadas a ensinar o que os programas mandam, sabendo que é inútil. Bruno Bettelheim relata sua experiência com as escolas: “Fui forçado (!) a estudar o que os professores haviam decidido o que eu deveria aprender – e aprender à sua maneira...”
Qual é o sujeito da educação? O sujeito da educação é o corpo. É o corpo que quer aprender para poder viver. Esse é o único objetivo da educação: viver e viver com prazer. A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver. Nietzsche dizia que ela, a inteligência, era “ferramenta” e “brinquedo” do corpo. Nisso se resume o programa educacional do corpo: aprender “ferramentas”, aprender “brinquedos”. “Ferramentas” são conhecimentos que nos permitem resolver os problemas vitais do dia-a-dia. “Brinquedos” são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramentas, dão prazer e alegria à alma. No momento em que escrevo estou ouvindo uma sonata de Beethoven. Ela não serve para nada. Não é ferramenta. Não serve para nada. Mas enche a minha alma de felicidade. Nessas duas palavras, ferramentas e brinquedos, está o resumo educação.
Ferramentas e brinquedos não são gaiolas. São asas. Ferramentas me permitem voar pelos caminhos do mundo. Brinquedos me permitem voar pelos caminhos da alma. Quem está aprendendo ferramentas e brinquedos está aprendendo liberdade. Quem aprende liberdade não fica violento. Fica alegre, vendo as asas crescerem... Assim todo professor, ao ensinar, teria de perguntar: “Isso que vou ensinar é ferramenta? É brinquedo?” Se não for é melhor deixar de lado.
As estatísticas oficiais anunciam o aumento das escolas e o aumento dos alunos matriculados. Esses dados não me dizem nada. Não me dizem se são gaiolas ou asas. Mas eu sei que há professores que amam o vôo dos seus alunos. Há esperança.

*Psicanalista, educador e teólogo, Rubem Alves é, também, autor de livros e artigos abordando temas religiosos, educacionais e existenciais, além de uma série de livros infantis.

Fonte: http://www.rubemalves.com.br/gaiolaseasas.htm